sexta-feira, 25 de novembro de 2011


O autor do texto foi o jornalista Claudio Fernandez, torcedor do clube. Na incerteza do presente, ele optou por pensar no futuro. Nas suas palavras, os jogadores do Vasco se multiplicarão em campo para oferecer o título ao treinador. No trecho abaixo, Fernandez também imagina que Ricardo Gomes terá a honra de levantar o troféu.

"Caríssimo Ricardo Gomes, anote em sua agenda: em 4 de dezembro, nove dias antes do seu 47º e mais festejado aniversário, você será campeão brasileiro. Logo após a épica partida contra o Flamengo, ainda enxugando as lágrimas nas mangas de sua camisa preta, você receberá o mais longo, envolvente e inesquecível dos tantos abraços que Carol e Diego já te deram na vida. Um a um, os jogadores repetirão a coreografia e você se enxergará refletido nos olhos vermelhos de cada um deles. E, então, em um gesto talvez sem precedentes na história do futebol, Juninho te chamará ao centro do campo (“s’il vous plâit, monsieur”) e você será o primeiro treinador a erguer uma taça no lugar do capitão do time.
A partir de agora, Ricardo, o futuro está escrito. Durante 19 rodadas, três mágicos meses, uma força descomunal tomará conta de seus jogadores. Absolutamente possuídos, todos serão mais do que são. Cada um será mais do que um. E o velho lugar comum terá de ser repensado. Futebol passará a ser 11 contra 22. Nunca um time correrá tanto, se entregará tanto e vencerá tanto por seu treinador".

terça-feira, 20 de setembro de 2011

A lenda do girassol


Dizem que existia no céu uma estrelinha tão apaixonada pelo sol que era a primeira a aparecer de tardinha, no céu, antes que o sol se escondesse. E toda vez que o sol se punha ela chorava lágrimas de chuva.

A lua falava com a estrelinha que assim não podia ser, que estrela nasceu para brilhar de noite, para acompanhar a lua pelo céu, e que não tinha sentido este amor tão desmedido! Mas a estrelinha amava cada raio do sol como se fosse a única luz da sua vida, esquecia até a sua própria luzinha.

Um dia ela foi falar com o rei dos ventos para pedir a sua ajuda, pois queria ficar olhando o sol, sentindo o seu calor, eternamente, por todos os séculos. O rei do vento, cheio de brisas, disse à estrelinha que o seu sonho era impossível, a não ser que ela abandonasse o céu e fosse morar na Terra, deixando de ser estrela.

A estrelinha não pensou duas vezes: virou estrela cadente e caiu na terra, em forma de uma semente. O rei dos ventos plantou esta sementinha com todo o carinho, numa terra bem macia. E regou com as mais lindas chuvas da sua vida.

A sementinha virou planta. Cresceu sempre procurando ficar perto do sol. As suas pétalas foram se abrindo, girando devagarinho, seguindo o giro do sol no céu. E, assim, ficaram pintadas de dourado, da cor do sol.

É por isso que os girassóis até hoje explodem o seu amor em lindas pétalas amarelas, inventando verdadeiras estrelas de flores aqui na Terra.

domingo, 18 de setembro de 2011

Dia de Aniversário

Fazer aniversário é muito bom...
mas bom de verdade é ter amigos e pessoas especiais com as quais podemos compartilhar nossos momento de felicidades.
Ser feliz. Eu sou feliz, por que a vida me deu oportunidades únicas de viver intensamente cada momento. Posso dizer que vivo hoje a plenitude de minha idade, com todos os obstáculos que a vida me propoem porque barreiras existem para serem vencidas. 


sexta-feira, 9 de setembro de 2011




¨Viver é exercício de desprendimento. É aventura de deixar que o tempo 
leve o que é dele, e que fique só o necessário para continuarmos as 
novas descobertas.
Há uma beleza escondida nas passagens... Vida antiga que se desdobra em 
novidades. Coisas velhas que se revestem de frescor. Basta que retiremos
os obstáculos da passagem. Deixar a vida seguir. Não há tristeza que 
mereça ser eterna. Nem felicidade. Talvez seja por isso que o verbo 
dividir nos ajude tanto no momento em que precisamos entender o 
sentimento da tristeza e da alegria. Eles 
só são suportáveis à medida em
que os dividimos..¨
Pe Fábio de Melo

quinta-feira, 18 de agosto de 2011


QUE ISSO SEJA DECLARADO AMOR

Algo nascido além de nós e com a clara missão de jamais morrer 
Que tenha o dom de se refazer mesmo em meio às cinzas da adversidade 
Algo que nunca negocie sua verdade, que jamais se deixe por mágoa vencer 
Algo sempre a se desenvolver mesmo quando enfraquecer sua intensidade! 

Uma determinação do coração, que se fundamenta em algo sublime 
Que não se deprime diante de vozes mal intencionadas 
Quando surgem pedradas, não se intimida e nem se reprime 
Que nunca reputa por crime suas ações quando em si motivadas! 

Algo que para existir não cobra o preço da dor de um terceiro 
Que não precisa ter pele de cordeiro e nem guarda uma alma de fera 
Que do outro não se exonera, não se agride e nem se contempla primeiro 
Que absolve com perdão verdadeiro, que admite e muda quando erra! 

Uma essência sem máscaras, igual sob o teto como é pela rua 
Que a ninguém se insinua, negando ou mesmo omitindo a sua aliança 
Que dá motivos e nutre confiança, cuja sinceridade perpetua 
Que traz nos olhos o brilho da lua e no coração o sol da temperança! 

Algo que outro "algo", seja lá como for, não pode jamais suplantar 
Que sequer cogita separar o que Deus em família já consolidou 
Mesmo em martírio de dor, expulsa e supera a ameaça do lar 
E que todo orgulho do mundo terá de afirmar que o faz por respeito e amor! 
(Reinaldo Ribeiro - O Poeta do Amor)

De Graça!
Hoje sinto o céu, 
Sinto-o mais próximo, 
Sinto-o dentro do peito, 
Vejo-o á minha frente, 
Vejo-o nas pessoas, 
Sinto-me feliz, 
E o melhor é que não sei, 
Nem explicar o porque, 
E nem se mereço, 
Só sei que vendo assim, 
Entendi que Deus é gratuito! 

((Santaroza))

segunda-feira, 15 de agosto de 2011


Mãe -Pai...
Quem é a alma embrenhada na vida, 
que descortinou os corações amados, 
desabrochando um mar de amor... 


Quem cortou as sombras da insegurança, destemida! 
E semeou filhos no planeta, entusiasmados... 
Seres viventes nesse chão cheio de cor. 


Essa alma feminina, forte e bela, 
Fez das dificuldades, uma aquarela... 
Pintou as dores do mundo, sincera, 
transmutando em amor, a quimera! 


Em cores de sentir, em abraços, 
em um amar tão belo e profundo... 
redescobre a vida em laços 
Como quem mergulha fundo 
no maior amor do mundo! 


É a Mulher que cumpre árduo destino, 
sendo Pai-Mãe dos filhos amados 
Dando um sentido maior ao verbo amar, 
que mais se assemelha ao amor de Deus... 


"Mãe tem significado indecifrável, 
pois revela a cada dia no mundo, 
um amor diferente e puro... Inefável! 
Que vem da alma, imenso como um mar profundo! 


((Mando Mago Poeta))

As estações da Vida!
Suntuosa força, clara intensa luz, gênese de todo fruto 
Verbo soberano, início, meio e fim, porta voz do infinito 
Desce sobre os montes, rios, céu e mar, soberano dom divino 
Vai deixando em tudo o seu rastro de luz, a vida não poder parar 


Vida, tua cor colore o céu 
Vida, teu calor acende a luz 


Tece a melodia e deixa o teu sinal, onde o vento canta ao sol 
Sombras se dissipam e se vão quando se demonstra o teu poder 
Alma do universo, expressão de Deus, digo sim ao teu querer 
Mesmo que hajam forças contra ti sempre nascerão as estações 
Incansável luta, não te cansarás eu sei que sobreviverás 


Suntuosa força, clara intensa luz, gênese de todo fruto 
Verbo soberano, início, meio e fim, porta voz do infinito 
Desce sobre os montes, rios, céu e mar, soberano dom divino 
Vai deixando em tudo o seu rastro de luz, a vida não poder parar 
A vida não pode parar, a vida sobreviverá 
A vida sobreviverá 


(Pe. Fábio de Melo)

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Todo jardim começa com um sonho de amor.
Antes que qualquer árvore seja plantada
ou qualquer lago seja construído,
é preciso que as árvores e os lagos
tenham nascido dentro da alma.

Quem não tem jardins por dentro,
não planta jardins por fora
e nem passeia por eles...

(Rubem Alves)

terça-feira, 9 de agosto de 2011


SEGUNDO A PROVA BRASIL, 40% DOS ALUNOS DE ESCOLA PÚBLICA NÃO SABEM ESCREVER E 70% NÃO SABEM LER.

Parece piada.Escreve sem saber o que escreveu não está alfabelizado, apenas copia.
Então segundo a prova Brasil apenas 30% estão alfabetizados no quinto ano do ensino fundamental.
Prova disso, prova daquilo, avaliação daqui e dalí só servem para gastar a verba pública de modo indecente.
Não precisamos de nada disso. Qualquer pai mesmo o analfabeto sabe que seu filho não aprende na escola nem o mínimo. Nem a ler e escrever. Fica cinco anos na escola e aprende a rabiscar o nome. Pronto.
Vem então as desculpas. Culpa do Governo, do salário, dos pais, dos alunos, e até culpa do Construtivismo. Culpa da Progressão Continuada que impede professora de ensinar, essa então é a desculpa mais ridicula que inventam. Qualquer desculpa serve.A culpa na verdade é de todos, mas dos professores também claro, que não tem noção da importância da sua função na formação do cidadão e acha que enganando todo mundo, choramingando e posando de santa e mártir ela não precisa trabalhar e está tudo certo.Nesse barco que afunda estamos todos os brasileiros.Junto com a má qualidade de ensino e da má qualidade da escola pública vai para o ralo o progresso do país. A pergunta que um amigo ( Silvio Del Giudice) me fez de modo brincalhão ” o professor é ruim porque ganha pouco, ou o professor ganha pouco porque é muito ruim?”
Eu respondi como sempre.Não o professor é ruim porque ele não é fiscalizado. Não é cobrado, os pais não tem espaço no processo educacional.Salário não resolve e nem vai resolver o problema de professor ruim.Salário não transforma um mau professor em educador.Dinheiro não compra capacidade, nem talento.Embora dinheiro tenha que ser usado para recompensa do talento da vocação e da capacidade de um educador.
Cremilda Teixeira

sexta-feira, 5 de agosto de 2011


Arte: Airon Barreto


Ela entrou, deitou-se no divã e disse: "Acho que estou ficando louca". Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura. "Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões - é uma alegria! Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Ato banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica. De repente, a cebola, de objeto a ser comido, se transformou em obra de arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões... Agora, tudo o que vejo me causa espanto."

Ela se calou, esperando o meu diagnóstico. Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as "Odes Elementales", de Pablo Neruda. Procurei a "Ode à Cebola" e lhe disse: "Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas. Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro: 'Rosa de água com escamas de cristal'. Não, você não está louca. Você ganhou olhos de poeta... Os poetas ensinam a ver".

Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física.


Ilustração: Airon BarretoWilliam Blake sabia disso e afirmou: "A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê". Sei disso por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado. Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo.

Adélia Prado disse: "Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra". Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema.

Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem. "Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. Não basta abrir a janela para ver os campos e os rios", escreveu Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa. O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido. Nietzsche sabia disso e afirmou que a primeira tarefa da educação é ensinar a ver. O zen-budismo concorda, e toda a sua espiritualidade é uma busca da experiência chamada "satori", a abertura do "terceiro olho". Não sei se Cummings se inspirava no zen-budismo, mas o fato é que escreveu: "Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram e agora os olhos dos meus olhos se abriram".
Há um poema no Novo Testamento que relata a caminhada de dois discípulos na companhia de Jesus ressuscitado. Mas eles não o reconheciam. Reconheceram-no subitamente: ao partir do pão, "seus olhos se abriram". Vinicius de Moraes adota o mesmo mote em "Operário em Construção": "De forma que, certo dia, à mesa ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção, ao constatar assombrado que tudo naquela mesa - garrafa, prato, facão - era ele quem fazia. Ele, um humilde operário, um operário em construção".

A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas - e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre. Os olhos não gozam... Mas, quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que vêem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo.

Os olhos que moram na caixa de ferramentas são os olhos dos adultos. Os olhos que moram na caixa dos brinquedos, das crianças. Para ter olhos brincalhões, é preciso ter as crianças por nossas mestras. Alberto Caeiro disse haver aprendido a arte de ver com um menininho, Jesus Cristo fugido do céu, tornado outra vez criança, eternamente: "A mim, ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas quando a gente as têm na mão e olha devagar para elas".

Por isso - porque eu acho que a primeira função da educação é ensinar a ver - eu gostaria de sugerir que se criasse um novo tipo de professor, um professor que nada teria a ensinar, mas que se dedicaria a apontar os assombros que crescem nos desvãos da banalidade cotidiana. Como o Jesus menino do poema de Caeiro. Sua missão seria partejar "olhos vagabundos"...

O texto acima foi extraído da seção "Sinapse", jornal "Folha de S.Paulo", versão on line, publicado em 26/10/2004

TUDO POR CAUSA DO OLHAR
 
Os textos sagrados dizem que no princípio era o Paraíso. Homem e mulher, seus corpos tranqüilamente nus, gozavam da felicidade do olhar do outro. Os olhos do outro eram uma carícia. O Paraíso começa no olhar. Aí houve uma perturbação: um fruto delicioso provocou uma metamorfose malvada - os olhos se transformaram. Homem e mulher começaram a ter medo do olhar do outro. Tiverem vergonha dos seus próprios corpos. Fizeram precárias tangas de folhas de figueira. Deus teve pena deles. Compreendeu que o Paraíso, pelo poder do mau-olhado, estava definitivamente perdido. O Criador lhes deu então, como presente de misericórdia, a permissão para viverem pelo resto dos seus dias se escondendo um do outro. E até lhes fez túnicas com que cobrissem seus corpos. O Paraíso foi perdido e os portões se fecharam. Tudo por causa do olhar.
Fechados os portões do Paraíso. Fechada a porta da cozinha. As ordens eram para que a menina não entrasse nos salões da casa, preparados para o baile. Naquela noite tudo deveria ser lindo e perfeito. Não seria uma menina feia e desajeitada que iria perturbar aquele momento de glória para a mãe e as irmãs, todas lindas. A presença da menina nos salões de festa iria criar espanto nos olhares, provocaria desconforto e vergonha e, com isso, a necessidade de explicações. Mãe e filhas tudo fizeram para que os seus olhos e os olhos dos convidados fossem poupados. Por isso a menina deveria ficar na cozinha.
Não era a primeira vez. Ela sempre fora diferente. Na estória do Disney ela era órfã linda e tinha uma fada madrinha protetora, que se encarregou de fazer com que sua beleza resplandecesse. Na estória original não foi assim.
Uma vez o pai... O que me intriga nessas estórias é o papel dos pais: homens bons, cheios de amor, mas sempre distantes, sem perceber o sofrimento da filha e a maldade da mulher. Onde está o pai da Branca de Neve? Acho que ele morava dentro do espelho; ele era o espelho. Seus olhos estavam enfeitiçados pela mulher vaidosa, que só pensava em si. Mas, de repente, seus olhos se abrem: ele vê a filha. É aí que a mãe-madrasta se transforma em bruxa: ela não podia suportar que o marido que o marido tivesse, para a filha, o olhar que não tinha para ela. A inveja sempre transforma as pessoas em bruxas. E o pai? Não mais se ouve falar dele. Sumiu nos cacos do espelho. Numa outra estória a madrasta enterra a enteada. O pai, ingênuo, bobão, não percebe nada. Quem se dá conta do ocorrido é o jardineiro. Os pais: serão eles uns bobos? Como explicar isso, que os pais, tendo olhos nada vissem? Sei não. Não entendo.
Pois o pai da Cinderela, indo fazer uma viagem por terras distantes, chamou as filhas e disse-lhes que lhe contassem dos presentes que desejavam receber. A primeira pediu vestidos de grifes famosas. A segunda pediu perfumes franceses. Cinderela, bobinha, coitadinha, sem nada entender do jogo das vaidades urbanas e movida por sentimentos rurais, fez um pedido estranho: que ele, o pai, lhe trouxesse o primeiro galho de árvore em que sua cabeça esbarrasse. E assim aconteceu: cada uma recebeu os presentes pedidos. A menina, com o galho quebrado em sua mão, enterrou-o no campo, regou-o, cuidou dele. O galho pegou, cobriu-se de folhas, transformou-se em árvore frondosa, onde os pássaros faziam seus ninhos. Quando a menina ficava triste, ela vinha contar suas dores à árvore. A árvore era sua mãe. Pois mãe é isso: o lugar onde se pode chorar sempre sem ter vergonha.
Lugares onde se pode rir são muitos: as festas, os bares, os jantares, a Disneyworld, com amigos e desconhecidos. Os risos não necessitam justificativas. Mas são poucos os lugares onde se pode chorar, sem sentir vergonha, e sem ter de suportar a tolice dos insensíveis que desejam transformar o choro em riso: eles não entendem. “Mãe é o lugar onde se pode chorar sem sentir vergonha”.
             Que linda metáfora essa, para uma mãe: árvore. As árvores estão sempre à espera. Acolhem aqueles que as buscam na sua sombra. São silenciosas. Sabem ouvir. Não têm pressa. Sob as árvores os pensamentos se aquietam. Elas nos falam da estupidez dos homens e mulheres na sua correria, sempre em busca dos olhares dos outros. Coitados dos adultos: sempre prisioneiros dos olhos dos outros e dos pensamentos que imaginam morar neles. Árvores não têm olhos. Por isso elas não fazem comparações. Não dizem que esse é mais bonito que aquele. (Malditos sejam os boletins escolares! Espelhos onde as madrastas procuram o rosto dos seus filhos! Servem para fazer comparações. Boletins separam as crianças que vão para o baile das crianças que vão para o borralho. São os boletins que situam as crianças no jogo das comparações e de invejas que os pais jogam com seus filhos.)
Naquela árvore moravam os pássaros, amigos da menina. Avezinhas, símbolos de fragilidade e inocência.
Na estória do Disney tudo termina bem, e a madrasta malvada e suas filhas horrorosas sofrem o castigo de ter de contemplar o triunfo da Cinderela. Na estória original é diferente. Os pássaros, emissários da árvore-mãe, acompanham a procissão que seguia o casamento da Gata Borralheira com o Príncipe. Na subida da escadaria da igreja, vêm eles, velozes, e com seus bicos afiados furam um olho da madrasta e das duas irmãs. Na saída do casamento, na descida da escadaria, vêm eles novamente e furam o outro olho das três. Doce é a vingança. Foram castradas do seu órgão mais terrível.
Diz o Pequeno Príncipe que “o essencial é invisível aos olhos”. Tirésias, o vidente cego do mito de Édipo, segundo o próprio Édipo, era aquele que, sendo cego, via as coisas que os que viam não viam. Será que a madrasta e suas filhas, ao ficarem cegas, se transformaram em videntes e passaram a ver o essencial? Não posso responder. A estória não revela se madrasta e filhas passaram a ver o que não viam. O que eu sei é que é surpreendente a cegueira daqueles que têm olhos perfeitos. Os pais, em todas essas estórias, tinham olhos perfeitos e nada viam. E são muitas as mães de barriga que jamais vêem seus filhos. O que vêem é, de um lado, aquilo que desejam que os filhos sejam: bonitos, inteligentes, encantadores, heróicos, geniais, bem-sucedidos, seres de palco, recebendo os aplausos – e, ao seu lado, eles mesmos dizendo: “Fui eu que fiz” Fui eu que fiz!”E, do outro, seus filhos, crianças comuns, limitadas, não muito bonitas, não muito inteligentes, sem encantos especiais nem virtudes de palco – crianças simplesmente, que poderiam ser felizes se os olhos dos seus pais não as transformassem em Gata Borralheira. Quando isso acontece só resta aos pais rezar para que os pássaros não venham para realizar a vingança.
                                                                                                                                                   Rubem Alves – Concerto para o corpo e a alma
Ninguém é dono da sua felicidade, por isso não entregue a sua alegria, a sua paz, a sua vida nas mãos de ninguém, absolutamente ninguém.

Somos livres, não pertencemos a ninguém e não podemos querer ser donos dos desejos, da vontade ou dos sonhos de quem quer que seja.

A razão de ser da sua vida é você mesmo.

A sua paz interior deve ser a sua meta de vida; quando sentir um vazio na alma, quando acreditar que ainda falta algo, mesmo tendo tudo, remeta o seu pensamento para os seus desejos mais íntimos e busque a divindade que existe dentro de si.

Pare de procurar a sua felicidade cada dia mais longe.

Não tenha objetivos longe demais das suas mãos, abrace aqueles que estão ao seu alcance hoje.

Se está desesperado devido a problemas financeiros, amorosos ou de relacionamentos familiares, busque no seu interior a resposta para se acalmar, você é reflexo do que pensa diariamente.

Pare de pensar mal de si mesmo, e seja o seu próprio melhor amigo, sempre.
Sorrir significa aprovar, aceitar, felicitar.
Então abra um sorriso de aprovação para o mundo, que tem o melhor para lhe oferecer.

Com um sorriso, as pessoas terão melhor impressão sua, e você estará afirmando para si mesmo, que está "pronto"para ser feliz.
Trabalhe, trabalhe muito a seu favor.
Pare de esperar que a felicidade chegue sem trabalho.
Pare de exigir das pessoas aquilo que nem você conquistou ainda.

Agradeça tudo aquilo que está na sua vida, neste momento, incluindo nessa gratidão, a dor.
A nossa compreensão do universo ainda é muito pequena, para julgarmos o que quer que seja na nossa vida.


Paulo Roberto Gaefke

quinta-feira, 4 de agosto de 2011



Ame, pois o amor é fonte inovadora,
luz pura edificante, bendito,
centelha viva que habita em nosso ser,
irradia raios de energia em nós e em todo o infinito.

Ame, com sinceridade,
com bondade, com piedade, com fraternidade.
Ame com a força da verdade,
deixe o amor emanar-se do fundo da alma,
pois é o único sentimento que acalma.

Ame, porque o amor é o elo de ligação
com a fonte da vida, de toda a nossa vida.
seus raios a todos alcança,
sua luz a tudo e a todos ilumina,
trazendo para nosso interior esperança

Ame, com devoção, com doação
pois todo amor em doação,
voltará para nós como uma reflexão
igual nossa imagem em águas
tranqüilas e claras refletidas de um ribeirão

Ame com a alma e com o pensamento,
sem cobrar do outro o reconhecimento,
Ame, com os olhos do coração,
sem cobranças ou imposições

Ame, porque o amor é o caminho
que leva a felicidade e nos traz a paz.
Ame a você mesmo, ame ao próximo,
ame a vida, ame a tudo e a todos,
apesar de todas as dificuldades,
ame, porque amar é crescer,
é sentir um universo dentro de nosso ser.

((SussuLuz)
A vida só é possível através dos desafios.
A vida só é possível quando você tem
tanto o bom tempo quanto o mau tempo,
quando tem prazer e dor;
quando tem inverno e verão, dia e noite;
quando tem tristeza tanto quanto felicidade,
desconforto tanto quanto conforto.
A vida passa entre essas duas polaridades.
Movendo-se entre essas duas polaridades,
você aprende a se equilibrar.
Entre essas duas asas,
você aprende a voar até a estrela mais brilhante.

Osho
O esquecimento, freqüentemente, é uma graça. 
Muito mais difícil que lembrar é esquecer! Fala-se 
de “boa memória”. Não se fala de “bom esquecimento”,
como se esquecimento fosse apenas memória fraca. 
Não é não. Esquecimento é perdão, o alisamento do 
passado, igual ao que as ondas do mar fazem com a 
areia da praia durante a noite.

Rubem Alves

segunda-feira, 1 de agosto de 2011


O que é cativar?


E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa. 
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho que se voltou mas não viu nada. 
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira... 
- Quem és tu? perguntou o principezinho. 
Tu és bem bonita. 
- Sou uma raposa, disse a raposa. 
- Vem brincar comigo, propôs o princípe, estou tão triste... 
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. 
Não me cativaram ainda. 
- Ah! Desculpa, disse o principezinho. 
Após uma reflexão, acrescentou: 
- O que quer dizer cativar ? 
- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras? 
- Procuro amigos, disse. Que quer dizer cativar? 
É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. 
Significa criar laços... 
- Criar laços? 
- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. 


E eu não tenho necessidade de ti.
E tu não tens necessidade de mim. 
Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás pra mim o único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo...Mas a raposa voltou a sua idéia: 
- Minha vida é monótona. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei o barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora como música. 


E depois, olha! Vês, lá longe, o campo de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelo cor de ouro. E então serás maravilhoso quando me tiverdes cativado. O trigo que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento do trigo... 
A raposa então calou-se e considerou muito tempo o príncipe: 
Por favor, cativa-me! disse ela. 
- Bem quisera, disse o principe, mas eu não tenho tempo. Tenho amigos a descobrir e mundos a conhecer. 
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não tem tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres uma amiga, cativa-me! 
Os homens esqueceram a verdade, disse a raposa. 
Mas tu não a deves esquecer. 
Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas" 


Antoine de Saint-Exupéry

Se você não consegue lidar com os limites dos outros, é
porque você não consegue lidar com os seus limites.
A rejeição é um
processo de ver-se.

Toda vez que eu quero buscar no outro o que me falta, eu o torno um
objeto.
Eu posso até admirar no outro o que eu não tenho em mim, mas eu
não tenho o direito de fazer do outro uma representação daquilo que me
falta.
Isso não é amor, isso é coisa de criança.

O anonimato é um perigo para nós.
É sempre bom que estejamos com pessoas
que saibam quem somos nós e que decisões nós tomamos na vida.
É sempre bom estarmos em um lugar que nos proteja.

Amar alguém é viver o exercício constante, de não querer fazer do outro
o que a gente gostaria que ele fosse.
A experiência de amar e ser amado é
acima de tudo a experiência do respeito.

Como está a nossa capacidade de amar?
Uma coisa é amar por necessidade e
outra é amar por valor.
Amar por necessidade é querer sempre que o
outro seja o que você quer.
Amar por valor é amar o outro como ele é,
quando ele não tem mais nada a oferecer,
quando ele é um inútil e por isso você o ama tanto.
Na hora em que forem embora as suas utilidades,
você saberá o quanto é amado!

Tudo vai ser perdido, só espero que você não se perca.
Enquanto você não se perder de si mesmo você será amado,
pois o que você é significa muito mais do que você faz!

O convite da vida cristã é esse: que você possa ser mais do que você faz!

(Pe.Fábio de Melo)
"...Por ser mulher
Sou sensível, sou dengosa
Mas sou mais que um adjetivo qualquer
Sou força, coragem e fé...
Mas não perco o encanto da rosa.
Não sou mero reflexo
Tenho brilho próprio
Tampouco sou ser complexo...
Eu sou dona dos meus sonhos
E desejos. Não sou apenas
um batom diante do espelho."